Do cacau

Historias curiosas sobre o cacau

20 de fevereiro de 2016
P1000030

O cacau sempre foi uma iguaria e representava o poder. Era usado como moeda de troca pelos astecas e maias no século XIII. Quando Colombo chegou à região o cacau era a moeda do reino, mas ele nem se deu conta. Os índios do atual México ofereceram o cacau a ele, mas ele rejeitou e ainda debochou, pois quando algumas das sementes enrugadas caíram no fundo da canoa, os indígenas fizeram de tudo para catá-las e Colombo comentou depois com o filho que parecia que “seus olhos tinham caído dos seus rostos” de tanto desespero para catar as sementes.

Mal ele sabia que o dinheiro dava em arvore nesta região. Existia um comercio onde os escravos custavam 100 sementes de cacau, as prostitutas e os coelhos custavam 10 sementes.

E não era só esse o poder do cacau. Eles faziam também uma bebida sagrada com o cacau, onde torravam e moíam a semente, acrescentavam especiarias, pimentas, mel e água. Era uma bebida para poucos e muito poderosa. O imperador Montezuma tinha que beber 50 cálices desta bebida para enfrentar seu harém de 200 esposas. Constatou-se que, com uma xícara desta bebida preciosa um homem podia caminhar o dia inteiro sem comer.

Quando o explorador espanhol Hernan Cortez foi à região dos astecas e maias teve a imensa sorte de ter sido considerado a reencarnação de um Deus que eles esperavam naquele dia. E assim foi muito bem recebido e teve grande acesso e acumulou conhecimento sobre o cacau. Este não perdeu tempo, logo levou o cacau para o Rei da Espanha em 1527. O cacau se tornou uma febre entre os nobres no final do século XVI. ­Abriu-se casas de chocolate quente que competiam com as casas de chás e de cafés, mas era uma bebida bem mais cara e mais poderosa.

Mas até então não existia a barra de chocolate, somente a bebida. Foram os ingleses que, e, 1674 fizeram as primeiras barras de chocolates. Apesar de bem grosseiras, marcaram uma nova era.

Mais de 100 anos depois na Holanda houve outra grande invenção: a prensa que separa a manteiga e o pó do cacau. É por isso que o melhor pó de cacau do mundo, até hoje, é chamado de “dutching”.

A Suíça também contribuiu muito, eles descobriram como adicionar o leite ao chocolate, já que o leite líquido não dava certo, porque o cacau não se mistura bem com a água. Foi Henri Nestlé, com sua vasta experiência em condensar leite e excluir a água, que contribuiu para a existência do primeiro chocolate ao leite em 1875. Outro suíço teve grande importância na produção do chocolate em barra, o Rodolphe Lindt, que criou a técnica da “conchagem”, responsável pela cremosidade, sabor e textura aveludada do chocolate. Esta técnica é uma das mais importantes e determinadoras de um produto de qualidade, quanto maior o tempo de conchagem, mais nobre é o chocolate.

E assim temos hoje um chocolate que é resultado de várias descobertas que foram se completando e aperfeiçoando, hoje representa um mercado mundial de 60 bilhões de dólares. É um produto de consumo massivo, que já esteve ou está presente em quase todos os lares no mundo. Como era na sua origem há séculos atrás, continua sendo, e sempre será, um produto “dos deuses”, já que a sensação e satisfação ao degustá-lo é algo mágico e fascinante, prazeroso e sinônimo de bem-estar. As pessoas podem não gostar disso ou daquilo, mas é difícil que não aprecie um bom chocolate.

 

Foto : João Tavares

Dá uma olhada nesses também

Sem Comentários

Responda